Cada vez sei menos
falar de mim. Tenho muitos medos (sapo, galinha, fogo, solidão,
maldade, expor a mim e a meus sentimentos, etc.), algumas poucas
coragens (andar de avião, morar em São Paulo, me jogar de cabeça
nas minhas paixões, expor a mim e a meus sentimentos, etc.), certas
esperanças (ainda vou me tornar uma mulher bem sucedida e reconhecida
pelo meu talento!), outras tantas descrenças. Nasci em São Paulo,
em 15 de setembro de 1978 - a virginiana mais às avessas que conheço!
Fui um bebê muito desejado - uma vez me disse minha mãe. Tento ser
filha, neta, irmã, amiga, namorada, menina, mulher, essas coisas.
E escrevo.
Quarta-feira, Julho 23, 2008 Você não vale nada, marrrr eu gosto de você ("Eu quero ver você sofrer * só pra deixar de ser ruim * Eu quero ver você chorar, se humilhar * ficar correndo atrás de mim")
(do meu celular) O Cravo brigou com a Rosa? Ass: Canela. Não! Rosa! Não, não! Canela!
Domingo, Julho 20, 2008 putamerdaputamerdaputamerda
He's leaving in two months and I've just started considering this dating thing he's been talking about since forever. Since May, actually. I missed being with him this weekend and I'm about to give up spending some quality time with my friend and her family in Campos do Jordão just to see him. I definitely have commitment issues.
Sábado, Julho 19, 2008 Análise de uma (outra) fita com título de Adriana - ou - Naftalinaaaaaaaaaa (post com música)
Comecemos pelo primeiro detalhe que se nota: Tudo é preto. Porque, convenhamos, antes de ser uma fita de "amorzinho", essa é uma fita de Rock. Logo, faz TODO sentido do mundo colocar um papelzinho preto na caixinha da fita, porque o Rock e a cor preta andam de mãos dadas, néam? Pois bem, o fundo é preto e as músicas estão escritas em prata, em letra de forma porque letra cursiva não combina com Rock, calaro! O "A", a tal da marca registrada das fitas com título (ou decentemente gravadas, se vocês preferirem), está na extrema direita, no alto da caixinha. Tudo muito bonitinho.
LADO A
1. Since I don’t have you - Guns 'n' Roses Lembro-me que papai ficou pra morrer quando me pegou ouvindo essa música. Eu estava no meu quarto chorando. Chorando não, urrando porque papai escutou meu escândalo apesar da porta fechada e dos gemidos estridentes do Axl (Lindooooooo! Gostosoooooo!). Deu comigo encolhida no chão, abraçada ao Lion. Chorando. Urrando. - Filha, o que foi, Meu Deus? - Não foi nada, pai. É. - Como não foi nada, Adriana? Olha o seu estado! - É, pai. É. - É o quê, Adriana? - A vida, pai. A vida é triste. A vida é... Meu (não tão) velho e (também não tão) alquebrado pai maneou a cabeça, desolado ao dar-se de que sua primogênita era a reencarnação de Lorde Byron. De saias. E foi nesse átimo que ele prestou atenção à música. - Não pode ser... - O que foi, pai? - Isso que está tocando... isso é "Since I don’t have you?" Meu rosto iluminou-se! "Eu tenho um pai moderno! EU TENHO UM PAI MODERNO!" - É, é sim, papi! Você também gosta? - Isso não é "Since I don’t have you"! - É sim, pá! - E quem é o salafrário que assassinou a música? - O Axl não é salafrário, pai. Ele é lindo! - Quem? Qual o nome desse indivíduo? - Axl; Axl Rose. - Pois fique sabendo que Axl Rose assassinou "Since I don’t have you". Irritadíssimo, levantou-se, pouco se importando com minhas lágrimas ou com a tristeza da vida, e saiu porta afora, marchando.
2. Tears in Heaven - Eric Clapton (cuspindo-no-prato-em-que-comi mode on) Puta música chata do cacete. Pobre coitada da criança homenageada (que Deus a tenha!) com esse lamúrio sem fim. (cuspindo-no-prato-em-que-comi mode off)
3. Stairway to Heaven - Led Zeppelin Fantástico! Além não ter a menor noção do que vem a ser uma música romântica - sim, porque até onde me lembro, não há um "love" ou um "heart" ou até mesmo um "baby" nessa canção - eu desconhecia o significado da palavra "lisérgica"!
4. Wind of Change - Scorpions Outra para a lista: Adriana não dominava tanto a língua inglesa quanto pensava, caso contrário não teria seguido a Moskva até o Gorky Park AOS PRANTOS! Wind of Change é tudo, menos uma "rock love song"...
5. Is this love? - Whitesnake Sem mea culpa agora: Essa música me alucina até hoje. E ponto final.
7. Dream on - Aerosmith Dream until your dream come true. É o que eu faço
6. Baby, I love your way - Peter Frampton Caso estejam acompanhando essa saga musical (?) desde quarta, notarão que é a segunda vez eu menciono essa música. E a segunda vez numa fita com título. Rob Flemming que vá para o inferno!
LADO B
1. Something to believe in - Poison A verdade é que cheguei a ir a um show do Poison. E chorei ouvindo a música ao vivo. Um mico (outro), porque se "Wind of Change" é panfletária, "Something to Believe in" é praticamente um hino de louvor ao Todo Poderoso.
2. Wasted time - Skid Row Há poucas coisas tão boas nessa vida quanto gritar "I never THOUGHT, I never THOUGHT you'd let it get this far, booooooooooooy" junto com o Sebastian Bach. Eu garanto!
3. Still Loving you - Scorpions Still Loving this song, actually. A música que SEMPRE sonhei dançar num bailinho.
4. I'll be there for you - Bon Jovi Mais clichezona, impossível. "I’ll be there for you. These five words I swear to you. When you breathe, I wanna be the air for you. I'll be there for you I'd live and I'd die for you. Steal the sun from the sky for you, words can't say what love can do. I’ll be there for you" "I’ll be there for you" faz parte de um trauma de pré-adolescência meu.
5. Angie - Rolling Stones Clássico dos clássicos. Não me importo com as histórias torpes acerca dessa música; vou morrer querendo ser a "Angie" de alguém.
Sexta-feira, Julho 18, 2008 Análise de uma das fitas sem título de Adriana ou - Naftalinaaaaaaaaa (outro post gigante)
Minhas fitas eram divididas em dois grupos: As com título e as sem título. Carros-chefe de minha coleção, as fitas com título eram perfeitamente gravadas, depois de dias de muito estudo - eu cantarolava o final de uma música e o início da seguinte para ver se a ordem "combinava". Eram coloridinhas as tais fitas. E tinham minha "marca registrada", um "A" colado na extrema direita da caixinha, lá no alto. Ah, sim, as músicas tinham começo-meio-e-fim. Digo isso, ainda que seja óbvio, porque ter uma música gravada numa fita sem título significava que ela provavelmente não estaria completa. As fitas sem título não tinham "azinhos" na caixa; muitas vezes elas nem tinham caixa! Eram destinadas para as gravações de rádio, para o "Love Songs are Back Again" ou ainda para "As Sete Melhores da Joven Pan". A que será analisada agora é uma dessas sem título. Por favor, continuem me amando quando o post acabar. Grata.
1. Still got the blues - Gary Moore A fita começa sem tropeços, "Still got the blues" começa com "Used to be so easy, to give my heart away" e vai até o último "foooooor you" com todos os "tanan nan nans" finais da canção.
2. The Captain of her heart - Double Pronto! A primeira avacalhação. A gravação se inicia quase no final da primeira estrofe: "Not only for a cruise, not only for a day... Too long ago, too long apart. She couldn't wait another day for the Captain of her heart". A música chega ao final sem maiores problemas.
3. Me dê uma chance (A carta) - Sampa Crew (Pé enfiado na jaca mode on) Como se não bastasse gravar uma música do Sampa Crew, cheguei à conclusão de que realmente gostava desse arremedo musical. Explico: Só disponho dos versos (?) finais da música - "...taaantooooo. Só uma chanceeeeeeee... (Garota, eu amo você) Amo você-êêê, me dê uma chance de poder provar (amo você). Amo você-êêê, eu quero acordar ao seu lado e sonhar. Amo você-êêê, me dê uma chance de poder provar (amo você). Amo você-êêê, eu quero acordar ao seu lado e sonhaaaaaar..." - de onde conclui-se que eu estava mudando de estação quando ouvi a música e "dispausei" a fita. "Boa noite. Oito e onze na Primeira Gazeta ÉFEME!"
4. To be with you - Mr. Big Inteirinha, desde os toc-tocs do começo! Um verdadeiro milagre!
5. Life - Desree Aparentemente, desisti da gravação sem mais nem porque: A única coisa que consta é "Life, Oh Life, Ooooooh Liiiiife, Oh Life! Tchurutchutchu!"
6. Corpo Lúcido - Katinguelê O que vem a ser um "corpo lúcido"? E "Katinguelê", o que vem a ser "Katinguelê"? ... Tá, eu assumo; estou tentando mudar de assunto... A verdade é que tenho "Corpo Lúcido" (Santo Deus!) gravada desde a parte que o Salgadinho (Perdoai, pai, eu pequei!) canta "Mas quero ter teu corpo lúcido, Minha sede saciar, mas vem... Dar sentido ao meu viver. Sei que errou, sei perdoar. Ééééééééééé, quero de nooooo-vo. Sentir teus lábios entre os meus. No eu calor me aquecer. Ééééééééééé, quero de novo". E daí a música recomeça. Sim, porque pagodes são tão profundos que precisam ser repetidos à exaustão até que o verdadeiro sentido de suas palavras aflore. "Cidaaaaadeeeeeeeeeee"
7. Wishing on a Star - Cover Girls Começo-meio-e-fim.
* "Cidade, 8:32. ALÔ CIDADE! - Alô? - Alô! - Quem éééééééééééééé? - Tudo bom? - Tudo bom! - Aqui quem ta falando é a Karina do Belenzinho... - Olá Karinááááááááá! E viva o Belenzinho! Tudo bom, Karina? - Tudo bem! - Como é que tá o Belenzinho? - Ah, t-tá bem. Tá tudo calmo, né? Porque tá todo mundo voltando de viagem. (Menos eu e você e esse locutor mala, Kariná!) - Pois é... A cidade está vazia. - Tá vazia, num tem quase ninguém. - Ontem, eu fui pra casa de madrugada saindo daqui de São Paulo para Guarulhos. - Ãnh... - Deserto, tudo deserto. (Pôxa, que legal hein tiozão?!) - Deserto, né?! - Desertão, uma beleza. Dá até para andar com o carro em ziguezague pela rua. (Ô, mas como você é feliz!) - É verdade (Até a Karina já está sem saco...) - Hoje tá assim também, né?! E então, e você, tá em casa agora? (Não, ô babaca! A menina está ligando do orelhão, com o radinho de pilha num ouvido e o telefone noutro. É CLARO que ela está em casa!) - É, to em casa. - Já jantaram aí? - Oi? - Já jantaram aí? (Ótimo! Mala e querendo filar o grude da casa da Karina-do-Belenzinho) - Não, ainda não. - O que vai ter de bom? Fala pra mim. (Cristo Rei!) - Ah, não sei. A gente vai comer um lanchinho... (O cachorro não gostou dos biscoitos que compramos pra ele, sabe?) - Um lanchinhozinho? É bom, né?! - É bom, é bom... - Com leitinho? (Porra! E precisa falar TUDO no diminutivozinho?) - Não, leitinho não que tá muito quente. - É? - Tá muito calor. - Tá, então tá. Mas pode tomar leite gelado que fica bom também. - Ah, com certeza! - Ó, vamo lá pra música. Qual é? - Eu vô pedir "Só pra Contrariar, Interfone". (Viiiiiiixe!) - Eu vou tocar, você pode mandar pra quem quiser. E eu quero antes agradecer todo mundo do Belenzinho que tá na Cidade todo dia, porque a Cidade tá há 50 meses em primeiro lugar graças a vocês também, viu? - Ah, 'brigada. - Vai lá, manda a música do Só pra Contrariar pra quem você quiser, fica à vontade. - Bom, pra todo mundo que tá me ouvindo, mando pra minha colega Katcha, pra todos que estão me ouvindo... - Ãhn... - E ofereço pro meu na... Pro meu namorado, Edinir. (Aêêêêê, Edinir! Não tem interfone na tua casa, mas você acabou de ganhar uma namorada ao vivo!) - Tá certo, beleza. Tem boliiiiinha. Dois, quatro, seis ou sete? Escolhe; boa sorte. - Sete. - Vamo láááááááá, bolinha sete pra ela... Tem... A Simone pegou a bolinha. Tem CD da Leci Brandão! Mais caneta, adesivo e chaveiros da Cid..." Corte brusco
8. Quando Chove - Patrícia Marx A gravação inicia-se no refrão - "Se chove lá fora, queimo aqui dentro de vontade de te abraçar... Aaaaa-amor, quando chove fica mais triste esperar por alguém que não vai chegar..." e segue até o final, sem mais (?) tropeços.
9. Send me an angel - Desconhecido Só há essa frase. Mal remixada, ainda por cima: "Send me an angel, send me angel. Right now. Right no-no-no-no-no-now. Tuntz-tuntz-tuntz-tuntz"
Para a felicidade greal da nação, digo que não há um LADO B. Na verdade, até há, mas com nada (tão) bizarro gravado: Grace Jones. Confissão repentina: Além de ter um gosto musical no mínimo duvidoso, eu ainda era uma ladra de fitas. E não tinha educação porque simplesmente desgravei um lado inteiro da fita da Grace Jones de minha mãe...
CADERNO DE PERGUNTAS Qual o seu nome? Adriana Você tem apelido? Qual (is)? Dri Quando você nasceu? Quinze de setembro de mil novecentos e setenta e oito Quantos anos você tem? Onze Qual é o seu signo? Virgem Qual é sua cor preferida? Azul Qual é o seu hobby? Ler Você gosta de alguém? Sim É da escola? Não Você já beijou? Sim Quantos anos você tinha quando beijou pela primeira vez? ---- Foi bom? Sim O que você sentiu? Uma coisa muito boa. ____________________________
CADERNO DE PERGUNTAS Qual o seu nome? Adriana Você tem apelido? Qual (is)? Dri Quando você nasceu? Quinze de setembro de setenta e oito Quantos anos você tem? Doze Qual é o seu signo? Virgem Qual é sua cor preferida? Azul Qual é o seu hobby? Ler Você gosta de alguém? Sim É da escola? Sim Você já beijou na boca? Sim Quantos anos você tinha quando beijou na boca pela primeira vez: Onze Foi bom? Foi O que você sentiu? Várias coisas ____________________________
CADERNO DE PERGUNTAS Qual o seu nome? Adriana Você tem apelido? Qual (is)? Dri, Drica, Driquinha Quando você nasceu? Quinze de setembro de setenta e oito Quantos anos você tem? Treze Qual é o seu signo? Virgem Qual é sua cor preferida? Azul e preto Qual é o seu hobby? Ler Você gosta de alguém? Sim É da escola? Não Você já beijou na boca? Sim Quantos anos você tinha quando beijou na boca pela primeira vez: Onze Foi bom? Muito O que você sentiu? Uma coisa louca. _____________________________
CADERNO DE PERGUNTAS Qual o seu nome? Adriana Você tem apelido? Qual (is)? Dri, Drica, Driquiqui. Meu pai, e só ele!, me chama de Bibi... Quando você nasceu? 15/09/78 Quantos anos você tem? 14 Qual é o seu signo? Virgem (felicidade de mamãe!) Qual é sua cor preferida? Preto Qual é o seu hobby? Ler e dançar Você gosta de alguém? Sim É da escola? Sim Você já beijou na boca? Já Quantos anos você tinha quando beijou na boca pela primeira vez: 11 Foi bom? Foi O que você sentiu? Beija que você vai saber!
Passei quatro anos da minha vida mentindo descaradamente. Aos onze anos então, bati meu recorde: Todo mundo da escola sabia que eu era apaixonada pelo Carlinhos. Eu ainda não tinha beijado, mentira número dois. Se bem que se levarmos em consideração que o local do beijo não foi explicitado, concluiremos que não menti coisíssima nenhuma; sempre fui muito amorosa e vivo plantando beijos nas pessoas de que gosto desde pequena. Horrível também foi ter alçado o azul ao posto de minha cor preferida quando as várias matizes de roxo das canetas em meu estojo me denunciavam. Com quinze anos, assumi minha baixão pelo branco, paixão essa que perdura até hoje. Uma mentirinha, ainda que branca, repetiu-se em todos os anos, entretanto. Eu gostava de ler, é verdade. Gosto bastante ainda hoje; não vou para cama sem ler três ou quatro linhas de um livro. Mas não era esse o meu hobby quando pré-adolescente. Meu negócio era chorar. Verter lágrimas. Abrir a torneirinha.
Tudo era muito simples e seguia uma rigorosa ordem. Eu chegava da escola, almoçava, fazia a lição de casa e então subia para meu quarto. Fechava a porta, puxava um pouco as cortinas - porque chorar na penumbrinha é o que há -, ligava o rádio e chorava enquanto escrevia alguma bobagem na agenda.
"Hoje o professor Rui pediu que duplas (chuif) fossem formadas para a realização de um trabalho e o Carlinhos, mesmo sentado atrás de mim (chuif chuif), preferiu ir até o outro lado da classe para fazer par com a Renata (chuuuuuif)..." "Carlinhos me chamou de (chuif) Adriana e não de Dri. Alguma coisa está errada. Eu sei. EU SEI. (chuif)" "A Fernanda me falou que a Sheila falou para ela que o Carlinhos vai pedir pra dançar comigo na minha festa de aniversário. Estou triste. Não quero esmola." Vez em outra, exercitava meu fabuloso lado poetisa:
"Eu gosto dele um tanto assim, mas ele não gosta de mim. Mesmo assim, sei que vamos namorar no fim. Nós vamos nos beijar E ele vai se apaixonar. Vai me amar. Pra sempre."
O negócio era tão profissional, que eu tinha fitas para chorar, plural. Achei várias delas na semana passada, na arrumação da minha casa (que ainda não é finita). Cada uma mais "sofrida" que a outra. E os títulos então? Sim, porque minhas fitas - assim como meus CDs agora, tempo de modernidade - tinham títulos. Todos supimpinhas: "Love Songs for Broken Hearts", "Missing you", "Give love a chance" eram alguns deles. Na fita de criativo nome "Love, love, love", o set list era:
LADO A Everybody Hurts - REM (um soco no estômago e a promessa de uma fita. Só promessa!) End of the road - Boyz II Men Take my breath away - Berlin (mela calcinha até a última nota) Baby, I love your way - Peter Frampton (o pior é que descobri a versão do Big Mountain em outra fita...) A maçã - Deborah Blando (Eeeeeeeer... Pelo menos não é "Innocence", né?!) Total Eclipse of the heart - Bonnie Tyler (clássico dos clássicos! Agradecerei à Cate Blanchett até o fim dos meus dias) Queen of rain - Roxette (Decorei todas as músicas do Roxette um menos de uma semana só para ir ao show e mostrar minha "sapiência" para todo mundo)
LADO B Love hurts - Nazareth (O amor dói, é verdade. Mas dói muito mais descobrir-se tontinha quando mais jovem...) The lady in Red - Chris de Burgh (O pior é que eu nem uso muito vermelho! Não gosto.) She's like the wind - Patrick Swayze (Eu achava que ela GOSTAVA do vento!) Lady, lady, lady - Joe Esposito (uma das piores músicas de todos os tempos) Senza una Donna - Zucchero & Paul Young (idem. Mas o que a paixão por um italiano não faz com a gente?) More than Words - Extreme (E eu ainda enchia a boca para falar "O Nuno é um gostoso", me achando A espertona!) Try a little tenderness - Otis Redding (pobre Otis, perdido no meio de tanta bobagem) *suspiro* Eu devia chorar era de desespero...
- Um copo de água, mamãe. Rápido. - Que desespero é esse, Carolina? - Tá vendo aquele copo ali? - Não é copo, Carolina. É taça. - É. Taça. Sabe o quem tem naquela taça ali? - Vinho. - Eu não sabia, mãe, juro que não sabia. E tomei três golões assim ó! - Ah, minha filha, não tem problema. - Como não tem problema? Tem sim! É ruim. (Papai de Carolina entra em cena) - Não é ruim não, filhota. Jesus bebia vinho, sabia? Como é que pode ser ruim se Ele gostava?
Faz dois posts que só falo do ônus de ter um... um... um fã (?) que se mete a usar estrangeirimos sem qualquer parcimônia. Aliás, não falo nada; só insinuo. Hoje eu descobri o bônus: piadas sem fim.
Ando profundamente intolerante. Tudo me irrita. Todos me irritam. Já não sei se o mundo está cheio de pessoas malas ou se, no final das contas, a chata sou eu. Por isso, hoje perguntei para um amigo se ele não queria assumir o cargo de grilo falante da minha vida. Trabalho simples e honesto, basta me dizer se estou exagerando nas patadas que venho distribuindo. Ele mandou na lata:
O cara achou que o estrangeirismo desnecessário era pouco. Publicitário. Redator, se é que serve de explicação para alguma coisa. Disse que sou "uma esquilinha muito cute". Não foi cuti, de cuti-cuti, que já seria bem ruim. Trata-se de outra palavra em inglês empregada sem qualquer lógica. (Me recuso a entrar no mérito da roedora.)
Eu não sei que mania é essa que as pessoas têm de usar palavras em inglês no meio das frases. Não, não se trata de estrangeirismo. É uma breguice sem fim que transcende qualquer explicação linguística. E olha que eu sou tradutora formada e falo whatever, as in e várias outras mais. Mas daí a escutar o cara dizer "Você é a mulher mais overwhelming que conheci nos últimos anos" e achar bonito há um grande (e tortuoso) caminho. Qual o problema com avassaladora? Inúmeros, a começar pela Giovana Antonelli (porque eu pergunto e eu mesma respondo). Agora, de irresistível eu gosto. E de desconcertante, mais ainda.
Tenho desejo permanente de hamburguer. De bem-casado também. De comida mexicana para comer com as mãos. E de massa com molho vermelho. Tinha avisado a maioria dos meus amigos sobre minha gravidez psicológica e já estava me preparando para a intervenção de Mulder & Scully (como todas as que engravidam psicologicamente, eu ia parir pelo nariz), quando Grey's Anatomy me ensinou o termo correto: gravidez histérica. (escolhendo os padrinhos...)
Quarta-feira, Maio 28, 2008 Extremamente infantil, incrivelmente egoísta
Peguei o livro emprestado numa sexta e só fui começar a lê-lo na quinta seguinte. Mesmo assim, me achei no direito de ficar irritada porque ele não era meu, porque eu não podia grifá-lo. Mais emputecida ainda fiquei porque não fui eu a descobri-lo. Corri para a Livraria Cultura mais próxima assim que o galo cantou. Saquei o livro da minha bolsa. "Você não tem idéia do quanto vai me fazer feliz se tiver um igualzinho a esse aqui para eu comprar". Eduardo* riu. Mordi a língua para não falar que sou uma mulher de (pequenos) prazeres Amélie. Mentalmente estalei um beijo em sua bochecha quando ele me deu minha mais nova obses aquisição. Comemorei com um balde do melhor sorvete de iogurte com mel do mundo e uma garfada do muffin salgado da Xará. Infantil, egoísta e olhuda.
Quão difícil é, numa escala de 0 a 10 - sendo 0 mais fácil que assobiar e chupar cana e 10 mais difícil que aprender japonês em braile - conjugar o verbo entreter no pretérito perfeito do indicativo?
Sexta-feira, Abril 18, 2008 A menina que colecionava adjetivos (final alternativo)
O primeiro adjetivo herdou da bisa; nasceu Bárbara sob os protestos do tio, que a queria Clara. O título de "bebê mais lindo da maternidade", entretanto, ficou com o irmão, escorpiano de dezoito de novembro de 1980, dois anos, dois meses e três dias mais novo.
Orgulhava-se quando a avó reclamava que era "de morte" porque sentia-se viva. Mas inflada mesmo ficou quando num janeiro de mar e praias sem fim, ouviu do pai que era boêmia. Como ele. Dormiu feliz por descobrir-se igual ao Super-homem e prometeu baixinho que iria procurar no dicionário o significado da palavra nova.
Leitora voraz, aluna de ponta, morria um pouquinho toda vez que a mãe afixava a prova nota sete do irmão inteligente na geladeira e diminuía seus noves chamando-a de esforçada. Olhava para ela e pensava sobre si: jamais serei amarga.
Os adultos enchiam-na de diminutivos; as tias postiças achavam que era engraçadinha, fofinha, meiguinha, opinião não compartilhada por André Moura. O coleguinha de classe inventava um novo apelido a cada semana. "Chupeta de baleia" foi cunhado durante o recreio. "Bombril", logo depois de uma prova. Insegura, enrodilhou-se no colo do pai. "Sou bonita?" Ele achou graça e filosofou:
- Claro que sim, minha filha. Você tem uma beleza misteriosa.
Ressentida, quase propôs à Angélica trocar o 'boêmia" de anos atrás por um papel de carta da Moranguinho; queria fazer jus ao nome. No fim, acabou dissimulando: escreveu uma redação em que contava o causo do desaparecimento de sua beleza, que sumira no mundo deixando no ar o mistério sobre seu paradeiro. Os responsáveis foram convocados para ter com a diretora e leram na ficha escolar um "complexada" implacável.
Loira, diploma na parede, tatuou a nuca. Uma borboleta, para que a vaidade nunca a engolisse.
Vivia os amigos quando foi atropelada. Joaquim, que virou Joca ainda no primeiro copo de cerveja. "Você é genial, sabia?", ele perguntou, a boca cheia de empanada, assustando a menina. Ela cogitou subir no salto e sair em carreira desabalada, sem dar pivô. Foi quando lembrou do sonho do Bandeira e hasteou a bandeira branca; guardou a loa do lado esquerdo do peito e deixou o amor chegar.
Terça-feira, Abril 15, 2008 Quinze de abril, mas também podia ser qualquer dia, de qualquer mês
Não sinto nada começando, nem continuando. Com tanto cara no mundo, por que é que fui querer logo o que metade da população feminina da cidade também almeja?
- Ciao. - Bru? - CIAO. - Bru? Tá me ouvindo? - Eu sabia! - Eu vou bem também, obrigada. - Já vai começar? - Já vai começar VO-CÊ! Faz um século que não nos falamos e eu sequer escutei um "tudo beeem?" - Porque eu tinha certeza de que você ia me ligar hoje. - Nem vem, queridão. Virou bidu agora? - Virei o quê? - Bidu! - Fala português, Dri. - Reaprenda sua língua pátria, Bru. - Bidu, que eu me lembre, é o cachorro do Franjinha... - Bruno, meu lindo, se você se comportar Dridri te dá ossinho... - Impressionante como você não consegue ser engraçada. - Impressionante como você finge não notar minha ironia. - Bom, de qualquer forma, não sou Bidu, seja lá o significado disso. - Bidu é... - Viu? - Vi o quê? - Não sou bidu. - E de onde veio a certeza da minha ligação, hein? - Você é muito previsível, Dri. - Eu? - É. - Previsível? - É. - Desde quando? - Desde sempre. - E você é muito chato. Desde milênios. - Como estamos criativos... - Como estamos insuportáveis! Bruno, na boa, o fato d'eu ter te enviado um e-mail não garante um contato telefônico! - Você me mandou um e-mail? - Ai, tá bom, Bru... - Sério? - (suspiro) - Calma, Beth! Estou abrindo minha caixa postal. - ... - Olha, é mesmo. Tá aqui. "Serenata". Porra, Dri, que título é esse? - Pronto, achou meu e-mail. Ótimo. Agora vamos conversar. - Tá abrindo... - BRUNO! Não é para ler agora! - Não se admire se um dia um beija-flor invadir... - Bruno! Fala comigo! - ... a porta da sua casa, te der um beijo e partir... - Cristo, como você é irritante! - ... fui em que mandei o beijo, que é pra matar meu desejo... - Faz-tempo-que-eu-não-te-vejo-ai-que-saudade-sem-fim. THE END! - The end nada; tem mais. Se um dia você se lemb... - Eu sei, eu sei! Dá para parar agora? - Dri, meu, estou em outro continente. Não acho que o beija-flor vai conseguir chegar aqui. E ainda me dar um beijo! - (risos) Bobo! - Olha! A música tá falando do nosso namoro... - Bruuuuuuuuuuuu! Não te liguei para você ficar declamando o texto que te mandei. - Ligou porque ficou com ciúme da Mirella! - Como é? - Vai, Dri... - Escuta, você comeu cocô? - Dri, não tá colando... - Bruno, não tem NADA a ver com a Mirella. - Driiii... Eu até já sei como foi. A San te falou que a Mi tinha pedido meu telefone para ela ontem e você resolveu correr atrás do prejuízo. - Prejuízo? Sabe, humildade e canja de galinha não fazem mal à ninguém... - E essa foi mais uma pérola da sabedoria de Adriana... - Bruno, seu ridículo. Liguei porque estou morrendo de saudade. E porque sonhei com você no final de semana. - Sonhou? E como foi? - Foi lindo, você estava lindo... - E você acordou sorrindo! - Eu ia falar isso mesmo, sabia? - Sabia! Você rima E é previsível! - (risos) Bru, eu vou indo. - Mas a gente não conversou direito; você nem me contou sobre o sonho. - É, eu sei. Mas eu preciso dormir. - Dormir?! - Sim. Para sonhar de novo com você. - Dri, essa foi a pior desculpa dos últimos tempos. - Não é desculpa. É que no sonho você não falava. Você só me beijava.
O chuveiro já estava aberto quando vi os primeiros pingos. Sol e chuva. Sol e chuva. Sol e chuva. Casamento de quem mesmo? Escrevo com a roupa molhada. De lágrimas e chuva.
Segunda-feira, Janeiro 21, 2008 Da série "Don't touch that dial" - ou - Adolescendo
Many times I've been told that I should go, but they don't know what we got, baby they may not see the love in you - but love I do. And I'll stay right here.
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008 2008 em ritmo de videoclipe
Rolha da garrafa 1 na perna. Rolha da garrafa 2 em algum lugar. Chuvisco de espumante do ombro. Risos. Abraços. E lágrimas. À meia noite e alguns, beijo com a mão espalmada na boca da amiga querida - quem não tem cão, caça com gata! Pesto de rúcula. Risotto de alcachofra. O brownie não provei. Pés sujos, pernas trançadas. Felicidade despenteia. Romã esquecida na geladeira. Saudade do mar. Saudade. Boa noite, dia. O quarto, a cama, tudo, que não me deixa em paz. Almoço com a vó. Com a tia-avó. Com a mãe da amiga. A tia da amiga. Com a avó da amiga. E a amiga. "É as mulheres, o-bá!". Promessas. Cumprir promessas. Cervejinha com a amiga que me chama de miragem. Jantar com o amigo que me chama de fraude. Presente. Em 2008 sou presente. Escola de dança. Teste. Samba de Gafieira avançado. Salsa no dia 17. E a amiga que não volta da Europa para começarmos a aula de circo? Seis meses de academia pagos. Carnaval combinado. Chopp no Filial. Festa dos garçons. No japonês ainda não fui. Preciso voltar para o francês. Comprar a cortiça para a porta do quarto. O Ano Novo começou. Eu deixei que ele começasse.
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007 Diário de uma virulenta
E eu tusso, tusso, tusso pego um arzinho e volto a tossir. E então meus olhos se enchem d'água e meu nariz escorre. SOS lenço. Me jogo na cama; o pulso ainda pulsa... O pulso do bichinho do rã-rã, isso sim, porque eu estou nas últimas. O Pastor Carlos, por faaaaaaaavor, que eu preciso me confessar! Bocejo e meu ouvido faz pop e destampa. Dói. Gemo baixinho e o bichinho acorda. E eu tusso, tusso, tusso pego um arzinho e volto a tossir...
(Eu quero falar, preciso falar, mas parece que as pessoas não têm paciência para mim. Na atual fase, dispenso até a eloquência de um discurso bem elaborado - quero só que me escutem. Ficaria ainda mais feliz se o colo fosse um brinde que não pudesse ser vendido separadamente)
O cara me liga e me enche e me manda mensagens no celular e diz que tem saudades, e "ai, teu cheiro". Vai cagar, né? Eu sou lá uma música de axé para ele falar do meu cheiro?
Sexta-feira, Dezembro 07, 2007 Sobre saudade e culpa
Minha família é composta basicamente por mulheres. Sete já chegaram a morar em casa – mamãe, vovó, tia-avó, bisavó, eu e duas cachorras, que mudavam, e muito!, a dinâmica da casa. Com exceção de Tia Sinôga, todas temos personalidades fortíssimas, e o superlativo aqui, pasmem!, é um eufemismo. Já ouvi muita gente dizer que uma convivência harmoniosa seria impossível porque nossos signos não combinavam, "o áries da sua mãe bate de frente com o seu virgem, o capricórnio da sua avó insiste na teimosia e complica as coisas ainda mais e o gêmeos da bisa não ajuda em nada". Bulshit. Somos difíceis e ponto final. Vó Maria é teimosa sim e azeda, minha mãe era a dona da verdade e meu pecado capital sempre foi a ira. Toda vez que minha mãe e minha avó brigavam, eu fazia mais do que apartar; eu tentava fazer com que minha mãe relevasse o que quer que fosse que vovó tivesse feito. "Ah, mãe, ela tá velhinha. E é sua mãe. Deixa ela falar". Já quando o arranca-rabo era entre mim e minha genitora, não havia ninguém que se metesse. (suspiro) Vivíamos entre tapas e beijos. E muito amor. (eu tinha escrito mais umas boas seis linhas versando sobre o quanto nos amamos, mas resolvi apagar. Explicações não se fazem necessárias. Nem mea culpas. Todo mundo sabe o que é viver em família).
O diagnóstico veio implacável no final de dois mil e dois: Câncer no mediastino, nos pulmões e no fígado. Meu pai e meu irmão quiseram poupar minha avó da verdade, mas impus a minha vontade: era a filha dela, meudeusdocéu. Não entrei em detalhes, e nem minha mãe o fez, mas contei que era grave e que seria praticamente imp... minha voz falhou e ela entendeu. Dois mil e três foi um ano muito sofrido. Lutei para assumir todas as responsabilidades (e eram muitas) de minha mãe enquanto ela lutava ainda mais para assumir a queda de cabelo, o enjôo constante, as dores que não cessavam. Eu dizia brincando que tinha me tornado uma "filha-de-casa", porque dona eu seria só quando tivesse a minha. Passava os dias correndo para o supermercado, o Hortifruti, o açougue, a farmácia, a farmácia de manipulação, o médico de Moema, a oncologista (...) e tentando encaixar minha vida nos horários que sobravam.
Fazia dois dias que minha mãe estava internada quando o meu Harry Potter e a Ordem da Fênix chegou, no dia vinte e oito de novembro. Devorei o livro porque queria dar algum alento para ela, que adorava as aventuras do bruxinho. Pelo mesmo motivo, pendurei uma meia natalina no ganchinho do soro, decorei seu quarto com bolas vermelhas e douradas e bonecos de neve e renas, apareci todos os dias no hospital com alguma novidade sobre os presentes de Natal ou sobre a ceia. Eu me pergunto até hoje se fechei os olhos para a realidade ou se eu não estava preparada para o falecimento da minha mãe, dia seis de dezembro de dois mil e três.
***
Quatro anos depois posso afirmar com certeza que não há um dia em que eu não me lembre da minha mãe. Não há. Há dias, ou períodos, que a saudade bate mais forte, que eu choro (ainda) mais. As coisas em casa mudaram, e muito. Papai casou-se novamente e já não mora mais aqui. Meu irmão namora. E eu virei a Bruxa do 71! Minha avó alçou mamãe ao posto de Santa depois de sua morte. Naturalmente eu herdei a posição de antagonista oficial da Maison dos Rodrigues – someone’s gotta do the dirty job. Minha avó e eu temos discussões horrorosas, brigas homéricas porque na política de Adriana R. impera a premissa do "pão-pão, queijo-queijo". Gritou? Grito também. Fez drama? Dou com o Oscar na sua cabeça. Não joguei o papo do "ela é velhinha e blábláblá" no lixo não, não vivo nessa de dois pesos, duas medidas. Mas acredito muito no respeito. Posso ser (muito) mais nova do que minha avó, mas sou tão mulher quanto ela. Ambas somos adultas e se ela me respeitar, certamente vou respeitá-la. Não é o que acontece na maioria das vezes.
Vó Maria tem um quê de vovó Donalda, mas sabe bem como me magoar. Uma de suas artimanhas preferidas é bradar a altos pulmões "Ai, Efigênia, que falta você me faz". E quando eu peço educadamente que ela pare, ela fala "Eu sei que você não sente falta da sua mãe, eu sei que não a amava". É quando eu agradeço por não ser uma X-Men e não poder brincar de Adriana with lasers com vovó. Durante todos esses anos evitei chorar pela minha mãe na frente da minha avó – deve ser muito triste para uma mãe enterrar sua cria, para dizer o mínimo. É contra as leis da Natureza. Desde o princípio optei por esconder meu sofrimento para não aumentar o dela. Mas ela não vê isso. Ela acha que tenho que exacerbar minha dor aos olhos de todos. Que tenho que fazer como ela, que conta os meses, os dias, e os segundos da morte da minha mãe, que marca – e vai – missas e missas em memória dela. Ela acha que é essa demonstração pública que mostra como é grande – ou não – meu amor pela minha mãe. Eu acho agressivo demais. Não quero - nem vou - condicionar a lembrança da minha mãe à sua morte. Ou gosto de pensar nela cantando comigo, ou dando colo para as minhas amigas. Lembro-me de nossas brigas também. E falo sobre elas. Mas essa coisa mórbida da minha avó não é para mim.
Ela se esqueceu sobre o aniversário de morte da minha mãe ontem. Eu não. Não joguei isso na cara dela. Não tive vontade. Mas a Edi, a moça que trabalha aqui, não se agüentou. Porque ela também é vítima da forçação da minha avó: Todo dia seis de cada mês, vovó pergunta para a pobre "Já acendeu uma vela para a sua patroa?" Então, Edi foi lá e falou para vovó, quase no final do dia. Não sei precisar direito o que aconteceu na sequência, mas o fato é que o telefone tocou aqui umas seis e tralalá da tarde e era a minha vizinha. Cleide resolveu me ligar para brigar comigo (!) porque aparentemente minha avó passara o dia inteiro me pedindo para que eu a levasse no cemitério (!!) e eu não só tinha me recusado a fazê-lo (!!!) como também não tinha me lembrado da data especial (!!!!). Mandei a vizinha tomar no cu e desci, sanguenozóio, para dar com minha avozinha fazendo sopa. Não xinguei, não nada, mas perguntei incontáveis vezes se ela precisava mesmo me pintar de demônio para se sentir bem. Berrei incontáveis vezes é o que chega mais perto da verdade. Ela não respondeu nenhuma. Não machuquei minha avó verbalmente porque, putz, eu já estava tão machucada. Mas falei sim um monte de coisas que estavam entaladas na minha garganta. E me enfiei debaixo do chuveiro no minuto seguinte. Quando saí do banho, ela tinha feito chá, panqueca e tinha ligado para uma amiga minha para ela me animar. A culpa mais uma vez deu as caras. Tivemos a segunda conversa do dia. Mas infelizmente fui para cama sem a certeza de que dias diferentes virão.
Eu estava tendo o papo mais bizarro dos últimos tempos com o chefe tesudo-udo-udo-ud-u-... (eco para mostrar que as qualidades do moço são infinitas) do meu irmão. Em inglês. Tudo (insuportavelmente) respeitoso. Daí, ele vira pra mim e fala que vai para o banho ao que eu respondo "Enjoy your bath. Tell your soap I said 'Hi'". Música incidental: Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel...
I'm not the horoscope-freak kinda gal, but I do have to come clean and confess I've signed up for receiving Personare's personalized daily horoscope in my e-mail. Personare features I Ching, a daily Tarot-card drawing, and a whole lotta things curious (and needy) women long for. It also offers Synastry at the touch of a button! Actually, it is not that simple: You have to enter not only your birth information (time included), but also the person you are interested in data. I've been told from day one he's a Scorpio. And from day one I've been trying to find out his ascendant. Far from being a stalker; I'm just hopelessly romantic (and curious, remember y'all?) . I could have asked Fernando, his brother and my best friend, about his exact time of birth, but I didn't. Being a sibling AND a friend is really crappy. Been there, done that. So I do my best not to get him so involved. It is hard. Lord has seen my effort and decided it was time to make it up to me. I was hanging in Fernando's house, which is his house as well, when my mother-in-law arrived. Life is a beach, but it can also be a bitch – I don't have a boyfriend (yet), but I got myself a mother-in-law! Of course I don't say it out loud, at least not in front of her. The fact is that we do have a great relationship. And she roots for me. For us. So, she got home very bubbly, and soon we started chatting. I don't know how or when we got to this astrology thing. But we did. And she spilled the beans. "He's a Scorpio. And he has a Virgo Ascendant. Very difficult person, Dri. You have to be very patient." (Personal note: I AM patient.) The minute I sat in front of the compute, I logged into Personare. Hello Synastry! Getting to know his ascendant didn't do much, though. I still need his time of birth – Personare has to calculate everything by itself. Amazing, huh? So I'm stuck in the middle of a great problem and I was wondering if you could help me a little: Can someone tell me at least how Scorpio men who have a Virgo ascendant are?
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Versão Brasileira: Herbert Richards
Alguém sabe como é o homem de escorpião com ascendente em virgem?
Quinta-feira, Novembro 29, 2007 O dia em que tomei cinco banhos - ou - Mas que vida emocionante! (post com final interno)
A primeira aula do dia marcada para às oito horas da manhã me tirou da cama às quinze para as sete e me colocou no chuveiro na sequência (Adriana conta u-u-um, um conta Adriana. É um, é Ana, viva Adriana! Viva Adriana!). Voltei para casa congelada - que vento invernal é esse que anda soprando? Tomei uma xícara de chá. Nada. Enfiei-me debaixo de alguns cobertores e liguei o secador nos pés. Nada. Resignada, peguei a toalha e entrei no box. (Adriana conta do-o-ois, dois conta Adriana. É dois, é um, é Ana, viva Adriana! Viva Adriana!). A calça de moleton e casaco de nailon escolhidos me fizeram perceber que estava na hora de procurar um termômetro. Achei uma caneta. Quando eu precisar urgentemente de uma caneta para escrever um telefone, devo encontrar um OB. É mesmo bem legal morar aqui em casa. Almocei, briguei com o técnico da net, saí para trabalhar. Cheguei em casa às cinco da tarde. Olhei para o cabelo no espelho e ele não piscou para mim - tão seco estava que acabou me dando sede! Peguei o shampoo anti-resíduos e mandei ver. (Adriana conta trê-ê-ês, três conta Adriana. É três, é dois, é um, é Ana, viva Adriana! Viva Adriana!). De melenas lambuzadas e máscara no rosto (clichê até), acabei de ler o livro do Tim. Na sequência, assisti Orgulho e Preconceito, a história de amor velado que estava procurando há tanto tempo. Novamente incomodada pelo frio, fui para o banho. (Adriana conta qua-a-atro, quatro conta Adriana. É quatro, é três, é dois, é um, é Ana, viva Adriana! Viva Adriana!) Já estava de camisola quando Ferê me ligou. Convite irrecusável. E em dois minutos eu estava me ensaboando mais uma vez. (Adriana conta ci-in-co, cinco conta Adriana. É cinco, é quatro, é três, é dois, é um, é Ana, viva Adriana! Viva Adriana!). Eu gosto de tomar banho. A Edi, a moça que trabalha aqui, diz que o bairro fica sabendo quando entro no chuveiro porque meus banhos são super cheirosos. Whatever. Eu descobri ontem que não importa quantas vezes eu coloque o sabonete, o desodorante, o perfume ou o hidratante em ação: NADA supera o cheirinho do Nívea.
Segunda-feira, Novembro 26, 2007 A curiosidade é um bichinho que Roy, Roy, Roy
Impossível explicar o fantástico mundo dos apelidos. A grande maioria só faz sentido para o apelidado e para o apelidador. Meu pai, e só meu pai, me chama de Bibi desde pequena sempre (sou verticalmente prejudicada desde o berço. Nem os saltos mais altos ajudam o meu um metro e cinquenta e oito), por exemplo. Bibi do quê se meu nome é Adriana? Quando meu irmão era criança, não conseguia falar meu nome corretamente (E ele também chamava o molho vinagrete de "molho da Gretchen" e borboleta de bebebeta. O monarca já foi cuti-cuti um dia). Ele passava o dia inteiro atrás da irmã "Aci". Moi. Papai se apropriou do 'Ci' e tirou um Cibele da cartola. CI-BE-LE. Daí, foi um pulo para eu virar a Cibelinha coisinha tão bonitinha do pai. O Bibi, creiam, veio do Cibelinha. (Apelidos românticos são outro capítulo, um muito mais vexatório.Uma palhinha rápida (teaser de post futuro): Meu genitor, que é lindo que só, a cara do Chico Pinheiro, é o "pato" da "pata" dele. E eu já fui a "Cocodila" de um "Gulu". Fim.) Ando queimando neurônios, entretanto, na tentativa de descobrir de onde veio o Roy do mocinho do capítulo anterior. O primeiro Roy que me vem à mente (e à mente de todos com mais de 26 anos) é o Roy-Menudo. Não faz qualquer sentido, não há qualquer semelhança física. A não ser que ele (o Roy tupiniquim) cante, dance e cheire sem parar. Cheire sim: o Roy chicano era o mais drogadito dos Menudos. O segundo de que me lembrei é o da Família Dinossauro. (pausa. Preciso dar um super Google Ativar) O Wikipedia diz que Roy Hess é o melhor amigo de Dino. Roy é um tiranossauro Rex solteirão e meio bobalhão que está sempre pronto para lhe fazer companhia e embarcar em suas aventuras. (outra pausa, dessa vez para beber água. Minha boca secou. De pânico. Solteirão e bobalhão super se enquadram no perfil do Roy Tupiniquim) Recebi um e-mail de um amigo meu com vários palpites. Todos me parecem melhores que o Roy da família Dinossauro. Roy Lichtenstein (Será que o moço gosta de pop art?). Roy Orbison (eu sempre quis ser musa, mas não vai estar dando para ser a Pretty Woman dele não). Rolls-ROYce (Pééééééééééé! Vetado, ainda que infame. O beijo foi bom, mas o cara não é nenhuma máquina). (idéia) E você, amigo(a) leitor(a)? Não quer me ajudar a descobrir a verdade por trás de Roy, o apelido? Invente, tente e comente: dê uma explicação diferente!
Sexta-feira, Novembro 23, 2007 O abc do amor (parte 2) - ou - O tal do post futuro
Na sexta-feira, o mundo girando e a boca manchada de vinho tinto, beijei um mocinho aí. A displicência não foi estudada, é que foi assim mesmo. Eu não estava fazendo nada, ele também não, e resolvi que estava na hora de fazer tudo junto com alguém. Porque eu posso ter nascido em quinze de setembro, mas me cansei dessa virgindade que me impus por conta da paixão. Aliás, "fiz tudo" foi só para contrastar com os dois "nadas" que escrevi antes - dei uma dúzia de beijos e fui deitar no chão geladinho do banheiro da casa da minha amiga, porque aparentemente é isso que eu faço quando estou bêbada: deito no chão dos banheiros. Eu ainda estava bebendo água quando o cara chegou. Roy. Ainda que não estivesse alcoolizada, esperei que os outros presentes falassem com ele mais umas três vezes antes que eu também o fizesse, para ter certeza de que era aquela mesma a alcunha do guapo. Porque Roy é de foder, né minha gente? Confirmado o desastre, rapidamente separei um lugarzinho para ele na minha lista de nomes extravagantes. Domingo, jogo do Brasil na TV, mensagem de número desconhecido no meu celular. Assinada por um igualmente desconhecido Guilherme. Nem me dei ao trabalho de responder. Dois minutos depois a amiga-dona-da-casa-de-sexta (difícil preservar a identidade das pessoas, não?) me liga. - E aí, Drica, recebeu o recado do Roy? - Não, recebi um sms de um tal de Guilherme. - É o Roy! - Guilherme? - É! - E como ele tem meu número mesmo? - Ai, Drica, ele tá empolgadíssimo. Apaixonou. Fiquei com dó e resolvi ajudar. Dos problemas recentes: 1. Como castigar a "amiga" que deu seu telefone para um cara de quem você já está com nhaca? 2. Como falar para o cara da nhaca sobre o surgimento da nhaca? 3. Como descobrir o porquê do apelido de um cara chamado Guilherme ser ROY? Resolvi mudar Ex-Roy-Guilherme-de-nascença de lista antes de tentar resolver qualquer problema supracitado. Coloquei-o na lista de nomes repetidos. Além de deitar no chão dos banheiros quando trilili, eu também gosto de beijar pessoas que tenham o mesmo nome. Em 1999, saí com dois Alexandres. Guilhermes foram uns cinco fácil, fácil. Meu ex e o cara-da-nhaca foram os mais recentes. Tem os dois Mis. E os Lucas'. Um dos Lucas é amigo do "meu gatinho" que, por sua vez, tem o mesmo nome da pessoa com quem eu estava saindo antes de cair de amores por ele. Complico a vida das minhas amigas toda vez que estou contando um causo. "Entrei no bar e dei de cara com o Rafa*" Confusas, elas metralham "Rafa V. Ou Rafa Q.?" "Rafa V.", é a resposta mais comum. Vivemos nos esbarrando por aí. O mundo é um ovo sim mas, nesse caso, é coisa de destino. "'Cause I'm his lobster".
* É óbvio e ululante que mudei o nome dos moços afinal, o Orkut está aí para levar à falência vários detetives particulares.
Terça-feira, Novembro 20, 2007 O abc do amor (parte 1)
Beijei muito em vinte e nove anos de existência, graças a Deus (e a esses olhos verdes que mamãe me deu!). De carona com a diversidade bucal vieram os nomes esdrúxulos (exóticos? excêntricos? 'Bora todo mundo falar a língua do "e"!). Muitos deles não permitiam a adoção nem de um apelido para amenizar o caso. Comprovem abaixo.
Alexis - com is mesmo. E made in Brazil... Andrea* - Sem o acento aberto feminino, sim?! O som é fechado. Repitam com a tia Dri "Andrêa", "Andrêa", "Andrêa". Isso, bonito! Um mantra italiano... e dos bons! Anthony* - "No time do Tony, você entra pra valer..." Cléssius - O pior de tudo, pasmem!, não é o nome e sim o apelido: Era um tal de "Cré" pra lá e "Cré" pra cá que eu me pergunto até hoje como não enfartei! Bayard (atentem para o detalhe significativo que está por vir) Jr. - O que me acalenta é que existe uma mulher mais louca do que eu: A que CASOU com o Bayard pai! Emiliano* - No começo, eu não gostava. Hoje acho forte. Jeferson - Je-fer-son, com um éfe só, sem o Thomas. Beeeeeeeeeem brasileirinho. Marlon Bruno - O pior de todos, de longe. Supera até o Cressius! Marlon não foi suficiente para a mãe demente do mocinho, tinha que ser Marlon BRUNO. Uma homenagem ao Brando, juro, juro, juro jaburu! Michele* - Outro mantra italiano. Todos juntos de novo: "Miquêle", "Miquêle", "Miquêle". Ruggiero* - O último mantra italiano, prometo. Língua no céu da boca? Sim? Ótimo! "O rrrrrrrrrrato rrrrrrrrroeu a rrrrrrrrrrroupa do rrrrrrrrrrei de Rrrrrrrrrroma." Agora, o nome do ragazzo: Rrrrrrruggiero. De verdade? Sou muito mais um Ruggiero do que um Rogério! Walter - Walter, Wagner, dá tudo na mesma pra mim; não gosto de nenhum. Graças a Deus, o Meu Walter também não era muito fã do nome e se apresentava para todo mundo como 'Tinho'. Will* - Will de Will mesmo; nada de William. Estereotipado até dizer chega: O nome, a loirice, os olhos azuis. A caretice americana também! (No ano passado beijei um cujas sílabas do nome quase formam o nome bizarro de um famoso apresentador de TV (Ainda na "vibezinha" do Qual é a Música!). Mais uma vez: No ano passado, beijei um cujas sílabas do nome quase formam o nome bizarro de um famoso apresentador de TV. A diferença era só na sílaba tônica. Não posso escrever a alcunha do belo aqui por motivos de... eeer, segurança. Mas se alguém acertar, eu confirmo!)
My brother's birthday and we had lunch out. I crept back home - red meat is definitely not for me - to find grams lying on the couch, watching Qual é a Música. Supla was wearing a shiny green suit. A lime green one. With ruffles. He was singing "Vou festejar". And he was absofuckinglutely out of tune. Let's go through all the data again: A freaky dressed Supla was squeaking Beth Carvalho's most famous song. Still I found him way TOO gorgeous. Think it's time for me to embrace my bizareness. (I don't usually write in English. Guess I'm afraid to sound stuck-up or something. But it's oh-so easy to use English to talk about embarassing things like this one, you know?)